29 setembro, 2006

A explicação...

Portugueses compram menos jornais- Os portugueses compraram menos 21,5 mil exemplares de jornais diários, por edição, nos primeiros seis meses deste ano face ao mesmo período de 2005, revelou a Associação Portuguesa para o Controlo das Tiragens (APCT), citada pela agência Lusa. Fonte: Portugal Diário

Mas para que é que eu, ou qualquer outro português vai ler um jornal? Esses palermas dos jornais não dizem aquilo que nós queremos! Por isso neste momento só compro informação de qualidade, informação essa que só a TVI, Caras, Vip ou Lux nos conseguem oferecer.

Claro, se me perguntam "Lê jornais? Se não, porquê?", lá terei de responder que não compro, são caríssimos (custam quase um décimo do que gasto por semana no Euromilhões), só têm notícias comandadas pelo "sistema" e que para não correr o risco de ficar mais ignorante, o melhor é nem ler!

Bons tempos, quando o Marco e a Marta me abriam o Jornal Nacional...

27 setembro, 2006

"Eu roubo mas faço..."

A classe politica sempre teve má fama em qualquer ponto do mundo... mas no Brasil a população já está habituada, afinal foi neste país que em certa campanha eleitoral o politico Adhemar de Barros usou o slogan:"Adhemar rouba mas faz".

Em 2002, Lula da Silva é eleito Presidente, a esperança toma conta deste país assolado pela corrupção. Este homem de origens humildes chega à presidência após 13 anos de espera com sucessivas derrotas.

Contudo, este D. Sebastião versão Brasileira cedo se transformou numa telenovela da Globo: Mentiras, corrupção, intrigas... os ingredientes estão lá todos.

O começo do fim - será mesmo o começo do fim? Para as eleições de dia 1 de outubro Lula vai na frente - surge com o "mensalão", subornos a deputados. Ao que parece Lula não sabia de nada.
Segue-se a "máfia dos vampiros", desvio de dinheiros do ministério da saúde para financiar subornos e campanhas, o ministro foi acusado mas Lula mais uma vez, não sabia.
Agora em plena campanha surge a história da compra de um dossier com provas contra os candidatos da oposição.

Lula roubou...mas fez? E fez... segundo o economista Ricardo Paes de Barros (citado pelo Expresso).
A banca teve lucros recorde em 2005, o crescimento económico para 2007 ronda os 3, 7%, e apesar dos 11% da taxa de desemprego este Brasil de Lula parece melhor.

Será que é isto a "corrupção democrática" a que se refere o João Miguel Tavares? Será que roubar não faz mal desde que se faça?

Se não é demagogia...

Portugal desceu três posições no ranking do Forúm Económico Mundial (31ª posição para a 34ª). Sem mais informação adicional, (leia-se o relatório no seu todo s.f.f) ilustres personalidades como Daniel Oliveira ou Helena Garrido logo concluiram que a culpa de tal descida catastrófica residia no sector privado, sobressaindo esta pérola "O défice público, um dos problemas do País que podem ser directamente atribuídos aos governos, está em vias de resolução" que só H. Garrido e a sua visão extremada nos poderiam oferecer.

Vamos lá por partes. Primeiro e acima de tudo, devemos analisar os dados no seu todo (por vezes, o todo é mesmo a soma de todas as partes) e verificar que talvez esta descida esteja relacionada com o facto de Portugal ser dos países com uma legislação laboral absolutamente inflexível (basta ver o afinco com que a extrema-esquerda nacional a defende), um défice orçamental que se mantém em níveis absolutamente asfixiantes, uma função pública que engorda a cada dia que passa ou um ensino (mais uma vez H. Garrido se esquece que o ensino ainda está maioritariamente sobre a tutela do Estado...) que tal como os restantes sectores do Estado, não incentiva qualquer tipo de sistema baseado na meritocracia.

É pura cobardia e escassez de argumentos remeter para o sector privado todos os problemas económicos que o nosso país sofre, através deste tipo de manobras de diversão, qual Houdini capaz de fazer desaparecer um elefante perante uma plateia, enquanto as verdadeiras razões são a todo o custo escamoteadas à base de pretextos proteccionistas.

Por fim e para quem afirma que os empresários portugueses de falta de competitividade, sugiro apenas a leitura da secção: Socialismo em forma legal presente n'A blasfémia e se tal não acontece na grande maioria dos casos devido a um constante intervencionismo estatal, através de subsídios que muitas vezes mais não fazem do que premiar a ineficiência...

Bons ventos e bons casamentos

A primeira visita de Estado do Presidente da República a Espanha foi uma verdadeira "operação de charme", a começar pelo "recuerdo" dado ao Rei de Espanha: um telemóvel com GPS tecnologia 100% nacional e com um software único no mundo. Trata-se de mostrar a Espanha e a nós próprios que não somos apenas um país de praias, vinho e cortiça. Serão as primeiras amostras do tão famoso "choque tecnológico" de José Sócrates? Pelo menos é a demonstração de que Portugal está apostado nas novas tecnológias.

A nível da política Europeia, Portugal e Espanha começam a perceber que têm um importante papel nomeadamente no combate à emigração clandestina vinda de África e na definição de uma política europeia de emigração, pois este não é apenas um problema dos países mediterrâneos (em especial de Espanha) é como disse o Presidente: "um problema europeu que exige uma resposta europeia".

A nível económico, depois da "invasão espanhola" da década de 90 começamos a perceber que temos no país vizinho um importante parceiro. Como o viram a Galp, EDP, Sonae e outras empresas de pequena e média dimensão. Não será por acaso que Portugal tem em Espanha o seu maior cliente e fornecedor com "27% das exportações e 31% das importações"(Expresso).
Mesmo assim o Presidente não deixou de criticar um certo "proteccionismo Espanhol".

Ao que parece o povo está errado e de Espanha podem vir bons ventos e bons casamentos...

diário da manhã

vasculhando os jornais de hoje, elejo:


esta notícia (há, sem dúvida, cada vez mais argumentos contra legitimidade da actuação de Bush - a invasão do Iraque foi um erro crasso de uma arrogante administração que já custou e vai continuar a custar caro a todos nós)

este editorial (extremamente importante esta questão que vem apoucar os promotores do "Compromisso Portugal")

esta opinião (um vício de cultura - e por isso mesmo há que levantar a questão de se é, ou não, curável...)

26 setembro, 2006

Ora aqui vai um cheirinho...


Sei que a história da citação do rei Manuel II Paleólogo do Papa na "aula" que recentemente deu numa universidade alemã está gasta e demasiado comentada. Pois bem, o problema está mesmo aí. Toda a gente, do intelectual opinion maker da imprensa de referência ao zé povinho, explanou as suas considerações e exalou as ilações devidas. Todos se sentiram compelidos a criticar algo que, na sua essência, nada tinha de "comentável". As afirmações de Bento XVI foram de tal modo distorcidas que acabaram por ser fonte de equívocos troantes com o que ele, de facto, defendeu. Ontem, confidenciava-me um amigo: "este papa não vale nada. O outro era a favor do dialógo entre as religiões. Este já não." Outros dois ouviram e replicam : "Pois é! É uma vergonha dizer aquilo. Deixem os muçulmanos em paz!" Isto releva três coisas preocupantes. Primeira - há jornalistas demasiado burros para serem jornalistas a transmitirem-nos informação diariamente. Se assim não fosse, o cidadão comum já não teria esta percepção, pois teríam-lhe explicado que é precisamente o contrário que este papa acha e exactamente o inverso do que defendeu nessa conferência. A causa é obvia e já foi bastante sublinhada: a infeliz citação do rei bizantino tem de ser analisada no contexto em que foi proferida. Segunda - o papa defende, como pressuposto para o diálogo inter-religioso, a união necessária entre razão e fé. Será contraproducente pretender que alguma prevaleça sobre a outra ou que ambas se auto-excluam, numa pretensa autoridade impassível de ser saqueada ou posta em causa por alguma delas. Podemos concordar ou não. Mas, mesmo não concordando com o pensamento do sumo pontíficie na sua globalidade, acabo por inequivocamente defende-lo, já que o contra-argumento às críticas feitas por estes meus amigos ao papa não é outro senão precisamente o que ele sustentou: em nome da razão não podemos negar a fé(seja ela pregada por Cristo ou por Maomé - são ambas fés, crenças, em todo o sentido em que a palavra fé se decompõe), bem como em nome da fé, não podemos iludir a razão (querem trocar a liberdade que os nossos teóricos iluministas conceberam pela enxovia individual de alguns países muçulmanos? - isto também servindo para condenar a inquisição, etc...) Crentes ou não crentes temos de ter noção de que lado estamos da barricada e postergar extremismos. Terceiro - o mundo está de facto doente. Não os seus actores individualmente considerados. Mas o sound-byte que em conjunto reproduzem. Estamos, nós, "ocidente", com uma ansia extemporânea de sermos levados a sério pelo "oriente". Sublinhe-se que sou adepto do denominado multiculturalismo. Mas o nosso complexo anti-americano está nos a conduzir para uma posição de franco desconforto para com os valores que de facto nos unem. Devemos promover a integração e o diálogo entre culturas mas não a sua conformação sob príncipios de necessidade ideológica. Ou seja: é vital que saibamos como promover uma convivência harmoniosa sem ferir a harmonia que cada parte já comportava à priori. Acredito que nós, Europa, somos capazes disso. Temo que os muçulmanos já não tanto. Esta é a verdade.

Uma ideia similar, mas sob outro ponto de vista, aconselho, este artigo de José Manuel Barroso

1º Disparate

Aqui deixo um video que, por analogia, é caracterizador em toda a sua plenitude dos dislates de que são capazes estes bloggers (nós): gente defeitosa, estupida e anafada de simplismos para o excelso intelectualismo que o apraz, mas que, mesmo assim, não se abstém de instigar o outro de que se esforça por destilar causas e consequências através da mundice de desvarios que crê conseguir discernir.

Chega de brincadeiras: apresentemo-nos. Somos três estudantes universitários de Direito. Cheios de convicções e ilusões. Da demanda racional política, à evasão futebolística, passando ao de leve pela ironia quotidiana banal e a literatura genial, procuraremos fazer deste espaço um recanto de crítica, um reportório de argumentos e um caixote de ideias nuas, umas mais, outras menos, disparatadas.

Mas sempre, sempre, um espaço com o seu quê de interesse.

Ao leitor, um bem haja por me ter aturado até aqui.

Humor é com eles...


"Sindicatos contra revisão do sistema de carreiras - Os sindicatos da Função Pública reagiram de forma crítica ao relatório da Comissão de Revisão do Sistema de Carreiras e Remunerações, considerando que, por comparação com outras reformas, este documento é o que engloba as soluções mais penalizadoras." Fonte: Jornal de Notícias

Acredito que os principais meios de informação nacionais têm já um sistema predefinido de notícias sobre os sindicatos nacionais e suas campanhas, bastando apenas uma ou duas alterações em cada "boa nova" sobre estas organizações para que sejam lançadas na praça pública, criando a estúpida ilusão de que algo de novo houve.

"Bettencourt Picanço, manifestou a sua disponibilidade para o diálogo e negociação, apesar de prever que este processo negocial vai ser "mais do mesmo"."

Realmente... Ao invés de apresentar argumentos credíveis e de grande rigor matemático, como o presidente do Sindicato dos Quadros e Técnicos do Estado nos tem habituado em cada aparição, o Executivo liderado por José Socrates ousa quebrar, ainda que de uma forma bastante superficial, um sistema de administração pública a que Portugal tanto deve e que em nada contribuiu para os jogos de bastiadores dominados por guerrilhas políticas, gestões ruinosas ou uma sobrelotação gritante de funcionários neste sector...

1ºpost (daqui em diante não há volta a dar)

Não sei se já repararam, mas para a história de qualquer blog, site, livro são sempre as primeiras palavras que ficam na memória daqueles que os leram. Sendo assim, e acreditando que este não será o último post d'A Obra nasceu, resta-nos garantir a todos os visitantes que a utilidade deste blog é de uma insignificância brutal, a menos que estejam interessados nos desvarios de meia-dúzia de palhacinhos que mais não sabem do que contribuir para a degredação da sociedade actual...


"Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a
morte o teu direito de os dizeres."
Voltaire